Quando lemos os Evangelhos, encontramos vários discípulos de Jesus que eram pescadores. Pedro, André, Tiago e João trabalhavam no mar da Galileia antes de seguirem Jesus.
Mas o que exatamente fazia um pescador naquela época? Era simplesmente pegar alguns peixes para alimentar a família? Na verdade, a pesca na Galileia podia envolver trabalho pesado, equipamentos, barcos e até uma pequena estrutura de negócio.
Como era a pesca na época de Jesus?
O mar da Galileia, também chamado de lago de Genesaré, era uma importante fonte de alimento e trabalho para as comunidades ao seu redor.
Os pescadores utilizavam principalmente redes para capturar os peixes. Algumas eram lançadas diretamente da margem, enquanto outras eram utilizadas a partir de barcos.
Os Evangelhos mostram diferentes situações envolvendo esse trabalho. Em Lucas 5, por exemplo, Pedro, Tiago e João passaram a noite pescando e lançando as redes, mas não conseguiram pegar nada. Depois da orientação de Jesus, encontraram uma grande quantidade de peixes.
Isso mostra que a pesca exigia conhecimento do lago, esforço físico e disposição para trabalhar durante longos períodos.
Pedro e André eram pescadores
Mateus 4:18 apresenta Pedro e seu irmão André lançando uma rede ao mar quando Jesus os chamou.
Jesus então disse:
“Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens.”
A comparação fazia sentido para aqueles homens. Eles conheciam profundamente o trabalho de lançar redes, esperar o momento certo e recolher aquilo que haviam conseguido capturar.
Mais tarde, essa mesma imagem seria usada por Jesus para explicar a missão que receberiam.
Tiago e João trabalhavam com o pai
A pesca também aparece como uma atividade familiar.
Quando Jesus chamou Tiago e João, os dois estavam no barco com seu pai, Zebedeu, consertando as redes. Marcos 1:20 acrescenta um detalhe interessante: Zebedeu tinha empregados trabalhando com ele.
Isso indica que, pelo menos naquele caso, não estamos falando apenas de um pai e seus filhos pescando ocasionalmente para conseguir comida.
Havia uma atividade organizada, com barcos, redes e trabalhadores.
Por que era necessário consertar as redes?
As redes eram fundamentais para o trabalho e precisavam estar em boas condições.
Depois de uma pescaria, elas podiam precisar de limpeza e reparos. Uma rede danificada poderia comprometer o trabalho seguinte.
Por isso, quando os Evangelhos mostram Tiago e João consertando as redes, não estão apenas apresentando uma cena qualquer. Estamos vendo parte da rotina de um pescador daquele período.
Era um trabalho fácil?
Definitivamente não.
A pesca dependia das condições do lago, da experiência dos pescadores e do resultado de cada pescaria. Os relatos bíblicos mostram homens trabalhando durante a noite, puxando redes e enfrentando situações em que todo o esforço parecia não produzir resultado.
Em Lucas 5, por exemplo, Pedro diz que eles haviam trabalhado durante toda a noite sem conseguir pescar nada.
Isso ajuda a perceber por que o chamado de Jesus para aqueles homens tinha tanto peso. Ele estava chamando pessoas que já conheciam disciplina, esforço e trabalho em equipe.
O que podemos aprender com os pescadores da Bíblia?
Quando Jesus chamou Pedro, André, Tiago e João, ele não ignorou a experiência que eles já tinham.
Pelo contrário, utilizou algo que fazia parte da vida deles para explicar uma nova missão.
Eles sabiam o que significava trabalhar quando o resultado não aparecia, insistir depois de uma noite difícil e lançar novamente as redes.
Talvez seja justamente por isso que a imagem do pescador aparece de maneira tão natural nos ensinamentos de Jesus.
Antes de serem apóstolos, aqueles homens eram trabalhadores comuns da Galileia. E foi nesse ambiente de trabalho que alguns deles ouviram o chamado: “Vinde após mim.”
Leia também: O que fazia um carpinteiro na época de Jesus?
Leia também: O que fazia um publicano na época de Jesus?
Referências utilizadas
- Bíblia Sagrada — Mateus 4:18-22; Marcos 1:16-20; Lucas 5:1-11; João 21:1-14.
- KEENER, Craig S. The IVP Bible Background Commentary: New Testament. InterVarsity Press.
- ROBINSON, Matthew K. “Is This Not the Τέκτων?”: Revisiting Jesus’s Vocation in Mark 6:3. Neotestamentica, 55(2), 2021 — utilizada para comparação do contexto profissional e social da Galileia.
- HÄKKINEN, Sakari. “Poverty in the First-Century Galilee”. HTS Teologiese Studies / Theological Studies — utilizada para o contexto econômico e profissional da Galileia do primeiro século.
- Theology of Work Project. “Jesus the Builder (Mark 6:1-6)” — utilizada como apoio ao contexto do trabalho e das profissões nos Evangelhos.
Este artigo foi produzido com auxílio de inteligência artificial e revisado editorialmente para o projeto Cristão Inteligente, com base nas fontes indicadas ao final.